Seis companhias aéreas nigerianas admitem grandes dificuldades de operação face a um aumento do preço dos combustíveis de aviação na ordem dos 260%, mas recuaram no cancelamento dos voos regionais, sob pedido do governo federal.

Segundo a agência noticiosa Associated Press, a manutenção das ligações de curto alcance foi conseguida após a promessa do Governo de envolver instituições que "fornecerão socorro" às companhias aéreas e ajudarão a compensar os preços do combustível.

Num comunicado emitido no domingo, a associação de empresas do setor da aviação informou que os gastos com combustível constituem agora 95% dos custos operacionais.

Algumas companhias aéreas tinham planeado protestar através do cancelamento das ligações domésticas e regionais, enquanto outras haviam rejeitado essa opção.

O preço internacional do crude aumentou cerca de 40% desde o início do ano, devido a vários fatores, incluindo a invasão russa da Ucrânia.

Na Nigéria, o mercado sofreu ainda mais, pois apesar de o país ser o maior produtor de crude em África, a escassez de refinarias funcionais obriga a que a maioria dos combustíveis sejam importados.

O enorme aumento do combustível para jatos (conhecido como Jet A-1) deve-se ao facto de este ser 100% importado e transportado em estrada, somando-se elevados custos de distribuição, avançou Sindy Foster, gestor de topo na Avaero Capital Partners, à agência norte-americana.

"É também provável que se trate de um problema de câmbio monetário estrangeiro. Não temos uma moeda estável e a maioria das importações apenas são acessíveis se se obtiver moeda estrangeira no mercado negro", acrescentou o especialista em aviação, baseado em Lagos.

Desde o início do ano, o Jet A-1 subiu de 190 naira (0,43 euros) por litro para os 700 naira (1,60 euros) por litro.

A associação de companhias aéreas disse tratar-se de um "aumento astronómico num curto período de tempo" impossível de absorver, que se refletirá numa subida de mais de 100% do preço dos bilhetes.

As empresas de aviação começaram a atrasar e cancelar voos com maior frequência, considerando que estes aumentos não podem ser "completamente passados para os passageiros, que já estão a sofrer bastantes dificuldades".

Tendo em conta os raptos e assaltos a autocarros e comboios por parte de grupos armados, sobretudo no norte do país, muitos nigerianos têm optado pelo transporte aéreo, pelo que o volume de tráfego nos céus da Nigéria cresceu 43% em 2021, segundo a agência estatística nacional.

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